Prólogo.
As vozes que escutava soavam bem distantes aos seus ouvidos, todas estranhas, tentava entender o que diziam, mas não conseguia. Sentia paz, alivio imenso que não compreendia. O lugar onde se encontrava era estranho, nunca estivera ali antes. O medo a tomava, não pelo desconhecido e sim, por talvez, não ter a chance de ver e falar pela ultima vez com o seu amor. As vozes se tornaram ligeiras e mais complicadas de entender. Começaram a soar cada vez mais distante. Uma frase se fez e a voz que lhe pedia para ficar conhecia muito bem. Era a voz de quem tanto amava. “Não vá! Fique comigo! Eu te amo tanto... Não vá... Fique... Por favor... Eu não saberei viver sem você... Fique...” A voz estava apreensiva. “Adoraria, mas não posso... Preciso ir...” respondeu-a. A voz se transformou em um rosto triste, com os olhos cheios de lágrimas. Aproximou-se, acariciou-o. “Desta vez, eu que senti medo... Medo de não conseguir te dizer adeus. De dizer mais uma vez e pela ultima vez, que te amo e sempre vou te amar. Nunca se esqueça disto. Eu te amo... Eu te amo...” o rosto do seu amor foi ficando cada vez mais distante, até sumir completamente.
- Doutor, o coração parou! – exclamou a enfermeira.
- Rápido! O Desfibrilador! – exclamou o médico. Ele segurou as pás. – 200! Afastem! – descarregou a primeira carga elétrica. Nada. Descarregou a segunda. Nada. – Vamos garota! Vamos! Massagem cardíaca. – nada. – Aumentem! – exclamou. – Vamos garota! Reaja! – estava gritando.
Enquanto a cirurgia ocorria, na sala de espera encontrava-se a mãe de Jennifer aos prantos e nada do que Iara falava, adiantava para acalmá-la. Tentava consolá-la de todas as formas possíveis.
- Calma Carmem! – dizia Iara – Sua filha é forte. Ela vai ficar bem, você vai ver.
- Isso não podia ter acontecido! Não agora! Eu preciso pedir perdão por tudo que falei! Eu estava confusa... Ela tem que se salvar... Para que eu possa dizer que a amo... E... E pedir perdão! – levou as mãos ao rosto.
- Tenha calma. Beba isto, vai lhe fazer bem... – lhe entregou um copo d’água com açúcar – Isto... Tenha calma. – Iara continuava á dizer, tentando em vão, acalmá-la. – Ela vai escutá-la dizer tudo isso. Você vai ver... Agora, tente se acalmar.
- Eu gostaria de ter essa certeza que você tem. Mas não consigo. – começou a chorar ainda mais forte. – Não consigo... Não consigo... – Iara abraçou-a tentando transmitir um pouco de calma, mas Carmem se encontrava em estado de choque. Sua mente era um turbilhão de pensamentos e lembranças de sua filha, dos mais doces, até ultimo momento, do qual se condenava por tudo o que havia dito a sua querida menina. Sua tão amada filha. “Como pude dizer tudo aquilo?... Eu te amo! Eu não queria dizer nada daquilo. Perdoa-me querida! Perdoa-me... Perdoa-me, por favor...”.
Sentada em uma poltrona no canto da parede, permanecia Regina em silêncio, recordando a vez em que elas tinham viajado. Jennifer se mostrara incansável, tudo lhe trazia animo novo. Regina lhe mostrou tudo que faz parte de sua infância. Levou-a um lugar que lhe causava vertigens. E lá, junto a ela, todo seu medo se esvaiu. Até então, Regina não havia descoberto como Jennifer tinha conseguido aquela proeza. A mesma tinha um poder sobre Regina, que ela mesma desconhecia. Jennifer fazia com que as coisas parecessem menos complicadas do que realmente eram. Definitivamente, Jennifer a mudara, lhe trazendo novos sentimentos e visões. E a possibilidade de acontecer o pior a fazia sentir um medo terrível, aquele mesmo medo que há tanto tempo não sentia. Seu desespero a fez começar uma prece, que a muito não fazia. “Senhor, sei que não sou uma boa fiel, mas não a deixe morrer, por favor! Eu lhe imploro! O Senhor sabe o quanto ela é importante para mim. Não a deixe morrer... É só o que lhe peço... Por favor, não a deixe morrer...” ficou a repetir várias vezes, até ser interrompida por uma mão em seu ombro. Ainda atordoada não conseguiu reconhecer de imediato a voz que lhe sussurrava algo.
- Quer alguma coisa?
Regina olhou em direção a voz, era sua mãe, que a olhava com ternura, como sempre fazia quando precisava.
- Quer alguma coisa querida? – perguntou novamente.
- Quero sim! Que a Jennifer fique boa mãe. Se ela... – seus olhos se encheram de lágrimas. Não queria chorar, pois acreditava que isso confirmaria o que tanto temia. – Você sabe o quanto ela é importante para mim. Eu...
- Não pense no pior filha. – interrompeu sua mãe – Ela vai ficar boa... Você vai ver... – dizia Iara, que queria acreditar nas próprias palavras.
Neste instante, entrou um homem na sala de espera desesperado.
- Como ela está? – perguntou Alfredo, pai de Jennifer. – O quê os médicos disseram?
- Até agora nada! Ninguém diz nada! – exclamou Carmem se levantando e se aproximando do marido. – Eles repetem sempre a mesma coisa! Que ela está na sala de cirurgia e nada mais!
- Há quanto tempo ela está lá?
- Não sei Alfredo! É exatamente isso que me preocupa. – exclamou Carmem nervosa. – Que porcaria! Ninguém diz nada!
- Como aconteceu o acidente? – perguntou angustiado. – O que aconteceu exatamente?
Alfredo mal conseguia entender o que sua esposa dizia, pois chorava muito e soluçava bastante, ao mesmo tempo em que se condenava pelo o que estava acontecendo com sua filha. Percebendo o nervosismo de sua mulher, abraçou-a tentando confortá-la, procurando o mesmo.
Nos minutos seguintes, a sala se manteve em silêncio absoluto. Cada um preso em seus pensamentos. O único barulho que se escutava, era do relógio que estava na parede de entrada da sala. Em meio a todo aquele silêncio, encontrava-se também, seu primo estimado, Jonathan, que se recordava de como sua prima era alegre, de como nada parecia afetá-la, era como se ela não conhecesse a palavra, problema. Há viu triste somente uma única vez. Para ele, ela não era só sua prima, mas também sua melhor amiga, sua confidente e nada sobre sua vida passava em branco para a ela. Ela, que sempre se encontrava a sua disposição, fosse o que fosse estava lá, escutando-o reclamar da vida e tudo que a envolvia. Recordou-se do dia em que lhe contou algo importante, ele não tinha noção de como Jennifer iria reagir. Mas novamente surpreendeu-o, achando a maior graça no que acabara de contar e dando-lhe a maior força como sempre, fazendo com que as coisas fossem menos complicadas. Por isso, naquele momento não conseguia acreditar, que agora ela lutava para sobreviver.
Ali também, estava Marlene, a quem Jennifer confiara tantos segredos e dúvidas e que se tornou sua amiga há alguns anos, quando Marlene se mudou para uma casa na rua ao lado. Aos poucos, foram fazendo parte uma na vida da outra. Elas adoravam passar as tardes de Domingo conversando, falando sobre tudo em tão pouco tempo, o que de fato era mesmo quando se juntavam. Marlene adorava a inocência de Jennifer, que, em um minuto parecia uma criança de dez anos e no minuto seguinte, uma mulher debatendo sobre vários assuntos, do qual outros adolescentes de sua idade não davam à mínima. Aquela menina que em seu olhar, pedia orientação sem saber. Lembrou-se certa vez, quando estavam todos reunidos em frente a sua casa, era aniversário de Marcel, um de seus filhos, em que ficou somente as duas perto da rua conversando. Marlene lhe disse uma frase que a ajudaria entender o que viria a seguir em sua vida. Jennifer não entendeu na ocasião, mas depois, fez toda a diferença.
Fábio, irmão de Jennifer, parecia que ia fazer um buraco no chão de tanto que andava pra lá e pra cá. Olhava para o relógio a cada cinco minutos. “Merda! Porque ninguém fala nada! Já faz mais de duas horas que ela está lá dentro e nada!”. Parava qualquer pessoa que estivesse de jaleco branco, que passasse pelo corredor. Não estava interessado em saber se a pessoa fazia parte ou não, da equipe médica que estava com sua irmã. Queria apenas informação. A recepcionista já estava perdendo a paciência. Ele só não podia como não queria acreditar que a vida de sua caçula podia estar por um fio, sentia-se perdido; atordoado; sem rumo; sem vida. Ela é o seu bem maior, seu tesouro. O que iria fazer se o pior acontecesse? Não. Isso estava fora de cogitação. Jamais poderia acontecer. Como desejava ter o poder dessa decisão em suas mãos naquele momento. Sua namorada o estava deixando ainda mais nervoso com a conversa de que ela iria ficar bem. Como ela poderia saber? Até onde ele se lembrava, ela não havia estudado medicina. No entanto, sabia que ela estava tentando ajudar, mas estava apenas piorando a situação, era sobre sua irmã, a única mulher de sua vida. Se bem, que já não fazia mais a menor importância o que ela deixava ou não, de falar. Há certo tempo, que não escutava mais nada, seus pensamentos estavam voltados em sua caçula, em seus olhos cheios de vida; nas brigas de infância; na cumplicidade que aumentava cada dia mais entre eles e a amizade, que com a mesma, se fortaleceu. “O que vou fazer?... O que vou fazer!... Ela tem que sobreviver! Ela precisa sobreviver! Senão, também, morrerei...”.
Há àquela hora, já se encontrava vários parentes e amigos da família, que aguardavam ansiosos por alguma resposta.
Alguém abriu a porta e todos olharam em direção a mesma. Era o médico.
- E então Doutor... – Alfredo foi logo perguntando aflito – Como está minha filha?
O Doutor começou a explicar. Carmem já não escutava mais nada, pois precisou ser socorrida, enquanto o médico continuava a falar.
Regina que escutou tudo com a maior atenção, sentiu que seu coração parou de bater por alguns segundos, não conseguia se mexer com o que acabara de ouvir.
- Você tem certeza Doutor? – perguntou sussurrando, as palavras mal saíram. O médico nada disse, apenas confirmou em um gesto com a cabeça que sim. Sua mãe se postou ao seu lado e abraçou-a. Regina começou a chorar como nunca em sua vida. Sua mente a transportou até o dia em que conheceu Jennifer. Como as coisas haviam mudado deste então...
As vozes que escutava soavam bem distantes aos seus ouvidos, todas estranhas, tentava entender o que diziam, mas não conseguia. Sentia paz, alivio imenso que não compreendia. O lugar onde se encontrava era estranho, nunca estivera ali antes. O medo a tomava, não pelo desconhecido e sim, por talvez, não ter a chance de ver e falar pela ultima vez com o seu amor. As vozes se tornaram ligeiras e mais complicadas de entender. Começaram a soar cada vez mais distante. Uma frase se fez e a voz que lhe pedia para ficar conhecia muito bem. Era a voz de quem tanto amava. “Não vá! Fique comigo! Eu te amo tanto... Não vá... Fique... Por favor... Eu não saberei viver sem você... Fique...” A voz estava apreensiva. “Adoraria, mas não posso... Preciso ir...” respondeu-a. A voz se transformou em um rosto triste, com os olhos cheios de lágrimas. Aproximou-se, acariciou-o. “Desta vez, eu que senti medo... Medo de não conseguir te dizer adeus. De dizer mais uma vez e pela ultima vez, que te amo e sempre vou te amar. Nunca se esqueça disto. Eu te amo... Eu te amo...” o rosto do seu amor foi ficando cada vez mais distante, até sumir completamente.
- Doutor, o coração parou! – exclamou a enfermeira.
- Rápido! O Desfibrilador! – exclamou o médico. Ele segurou as pás. – 200! Afastem! – descarregou a primeira carga elétrica. Nada. Descarregou a segunda. Nada. – Vamos garota! Vamos! Massagem cardíaca. – nada. – Aumentem! – exclamou. – Vamos garota! Reaja! – estava gritando.
Enquanto a cirurgia ocorria, na sala de espera encontrava-se a mãe de Jennifer aos prantos e nada do que Iara falava, adiantava para acalmá-la. Tentava consolá-la de todas as formas possíveis.
- Calma Carmem! – dizia Iara – Sua filha é forte. Ela vai ficar bem, você vai ver.
- Isso não podia ter acontecido! Não agora! Eu preciso pedir perdão por tudo que falei! Eu estava confusa... Ela tem que se salvar... Para que eu possa dizer que a amo... E... E pedir perdão! – levou as mãos ao rosto.
- Tenha calma. Beba isto, vai lhe fazer bem... – lhe entregou um copo d’água com açúcar – Isto... Tenha calma. – Iara continuava á dizer, tentando em vão, acalmá-la. – Ela vai escutá-la dizer tudo isso. Você vai ver... Agora, tente se acalmar.
- Eu gostaria de ter essa certeza que você tem. Mas não consigo. – começou a chorar ainda mais forte. – Não consigo... Não consigo... – Iara abraçou-a tentando transmitir um pouco de calma, mas Carmem se encontrava em estado de choque. Sua mente era um turbilhão de pensamentos e lembranças de sua filha, dos mais doces, até ultimo momento, do qual se condenava por tudo o que havia dito a sua querida menina. Sua tão amada filha. “Como pude dizer tudo aquilo?... Eu te amo! Eu não queria dizer nada daquilo. Perdoa-me querida! Perdoa-me... Perdoa-me, por favor...”.
Sentada em uma poltrona no canto da parede, permanecia Regina em silêncio, recordando a vez em que elas tinham viajado. Jennifer se mostrara incansável, tudo lhe trazia animo novo. Regina lhe mostrou tudo que faz parte de sua infância. Levou-a um lugar que lhe causava vertigens. E lá, junto a ela, todo seu medo se esvaiu. Até então, Regina não havia descoberto como Jennifer tinha conseguido aquela proeza. A mesma tinha um poder sobre Regina, que ela mesma desconhecia. Jennifer fazia com que as coisas parecessem menos complicadas do que realmente eram. Definitivamente, Jennifer a mudara, lhe trazendo novos sentimentos e visões. E a possibilidade de acontecer o pior a fazia sentir um medo terrível, aquele mesmo medo que há tanto tempo não sentia. Seu desespero a fez começar uma prece, que a muito não fazia. “Senhor, sei que não sou uma boa fiel, mas não a deixe morrer, por favor! Eu lhe imploro! O Senhor sabe o quanto ela é importante para mim. Não a deixe morrer... É só o que lhe peço... Por favor, não a deixe morrer...” ficou a repetir várias vezes, até ser interrompida por uma mão em seu ombro. Ainda atordoada não conseguiu reconhecer de imediato a voz que lhe sussurrava algo.
- Quer alguma coisa?
Regina olhou em direção a voz, era sua mãe, que a olhava com ternura, como sempre fazia quando precisava.
- Quer alguma coisa querida? – perguntou novamente.
- Quero sim! Que a Jennifer fique boa mãe. Se ela... – seus olhos se encheram de lágrimas. Não queria chorar, pois acreditava que isso confirmaria o que tanto temia. – Você sabe o quanto ela é importante para mim. Eu...
- Não pense no pior filha. – interrompeu sua mãe – Ela vai ficar boa... Você vai ver... – dizia Iara, que queria acreditar nas próprias palavras.
Neste instante, entrou um homem na sala de espera desesperado.
- Como ela está? – perguntou Alfredo, pai de Jennifer. – O quê os médicos disseram?
- Até agora nada! Ninguém diz nada! – exclamou Carmem se levantando e se aproximando do marido. – Eles repetem sempre a mesma coisa! Que ela está na sala de cirurgia e nada mais!
- Há quanto tempo ela está lá?
- Não sei Alfredo! É exatamente isso que me preocupa. – exclamou Carmem nervosa. – Que porcaria! Ninguém diz nada!
- Como aconteceu o acidente? – perguntou angustiado. – O que aconteceu exatamente?
Alfredo mal conseguia entender o que sua esposa dizia, pois chorava muito e soluçava bastante, ao mesmo tempo em que se condenava pelo o que estava acontecendo com sua filha. Percebendo o nervosismo de sua mulher, abraçou-a tentando confortá-la, procurando o mesmo.
Nos minutos seguintes, a sala se manteve em silêncio absoluto. Cada um preso em seus pensamentos. O único barulho que se escutava, era do relógio que estava na parede de entrada da sala. Em meio a todo aquele silêncio, encontrava-se também, seu primo estimado, Jonathan, que se recordava de como sua prima era alegre, de como nada parecia afetá-la, era como se ela não conhecesse a palavra, problema. Há viu triste somente uma única vez. Para ele, ela não era só sua prima, mas também sua melhor amiga, sua confidente e nada sobre sua vida passava em branco para a ela. Ela, que sempre se encontrava a sua disposição, fosse o que fosse estava lá, escutando-o reclamar da vida e tudo que a envolvia. Recordou-se do dia em que lhe contou algo importante, ele não tinha noção de como Jennifer iria reagir. Mas novamente surpreendeu-o, achando a maior graça no que acabara de contar e dando-lhe a maior força como sempre, fazendo com que as coisas fossem menos complicadas. Por isso, naquele momento não conseguia acreditar, que agora ela lutava para sobreviver.
Ali também, estava Marlene, a quem Jennifer confiara tantos segredos e dúvidas e que se tornou sua amiga há alguns anos, quando Marlene se mudou para uma casa na rua ao lado. Aos poucos, foram fazendo parte uma na vida da outra. Elas adoravam passar as tardes de Domingo conversando, falando sobre tudo em tão pouco tempo, o que de fato era mesmo quando se juntavam. Marlene adorava a inocência de Jennifer, que, em um minuto parecia uma criança de dez anos e no minuto seguinte, uma mulher debatendo sobre vários assuntos, do qual outros adolescentes de sua idade não davam à mínima. Aquela menina que em seu olhar, pedia orientação sem saber. Lembrou-se certa vez, quando estavam todos reunidos em frente a sua casa, era aniversário de Marcel, um de seus filhos, em que ficou somente as duas perto da rua conversando. Marlene lhe disse uma frase que a ajudaria entender o que viria a seguir em sua vida. Jennifer não entendeu na ocasião, mas depois, fez toda a diferença.
Fábio, irmão de Jennifer, parecia que ia fazer um buraco no chão de tanto que andava pra lá e pra cá. Olhava para o relógio a cada cinco minutos. “Merda! Porque ninguém fala nada! Já faz mais de duas horas que ela está lá dentro e nada!”. Parava qualquer pessoa que estivesse de jaleco branco, que passasse pelo corredor. Não estava interessado em saber se a pessoa fazia parte ou não, da equipe médica que estava com sua irmã. Queria apenas informação. A recepcionista já estava perdendo a paciência. Ele só não podia como não queria acreditar que a vida de sua caçula podia estar por um fio, sentia-se perdido; atordoado; sem rumo; sem vida. Ela é o seu bem maior, seu tesouro. O que iria fazer se o pior acontecesse? Não. Isso estava fora de cogitação. Jamais poderia acontecer. Como desejava ter o poder dessa decisão em suas mãos naquele momento. Sua namorada o estava deixando ainda mais nervoso com a conversa de que ela iria ficar bem. Como ela poderia saber? Até onde ele se lembrava, ela não havia estudado medicina. No entanto, sabia que ela estava tentando ajudar, mas estava apenas piorando a situação, era sobre sua irmã, a única mulher de sua vida. Se bem, que já não fazia mais a menor importância o que ela deixava ou não, de falar. Há certo tempo, que não escutava mais nada, seus pensamentos estavam voltados em sua caçula, em seus olhos cheios de vida; nas brigas de infância; na cumplicidade que aumentava cada dia mais entre eles e a amizade, que com a mesma, se fortaleceu. “O que vou fazer?... O que vou fazer!... Ela tem que sobreviver! Ela precisa sobreviver! Senão, também, morrerei...”.
Há àquela hora, já se encontrava vários parentes e amigos da família, que aguardavam ansiosos por alguma resposta.
Alguém abriu a porta e todos olharam em direção a mesma. Era o médico.
- E então Doutor... – Alfredo foi logo perguntando aflito – Como está minha filha?
O Doutor começou a explicar. Carmem já não escutava mais nada, pois precisou ser socorrida, enquanto o médico continuava a falar.
Regina que escutou tudo com a maior atenção, sentiu que seu coração parou de bater por alguns segundos, não conseguia se mexer com o que acabara de ouvir.
- Você tem certeza Doutor? – perguntou sussurrando, as palavras mal saíram. O médico nada disse, apenas confirmou em um gesto com a cabeça que sim. Sua mãe se postou ao seu lado e abraçou-a. Regina começou a chorar como nunca em sua vida. Sua mente a transportou até o dia em que conheceu Jennifer. Como as coisas haviam mudado deste então...
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